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Segunda, 14 de junho de 2021
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Policial

Tio e sobrinho são torturados e mortos após furtarem carne em supermercado

Yan e Bruno Barros foram encontrados mortos, com sinais de tortura em Salvador. Polícia está investigando caso, mas até o momento ninguém foi preso.

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Bruno Barros e Yan Barros, tio e sobrinho, foram encontrados mortos, com sinais de tortura, dentro do porta-malas de um carro, na comunidade da Polêmica, em Salvador, no dia 26 de abril.

A família diz que os dois teriam sido entregues a traficantes por funcionários do supermercado Atakarejo, após furtarem quatro pacotes de carne.

 

Quem morreu?

 

Bruno Barros e Yan Barros, tio e sobrinho, foram achados mortos dentro do porta-malas de um carro, na localidade da Polêmica, no bairro de Brotas, em Salvador. De acordo com a Polícia Civil, eles foram torturados e atingidos por disparos de arma de fogo.

 

Bruno e Yan Barros foram torturados e mortos a tiros após furtarem carnes em mercado — Foto: Arquivo pessoal

 

Quando o crime aconteceu?

 

Bruno, 29 anos, e Yan, 19 anos, foram encontrados mortos no dia 26 de abril.

 

O que aconteceu antes das mortes?

 

Tio e sobrinho foram mortos após terem furtado carne em supermercado — Foto: Arquivo pessoal

Seguranças do supermercado Atakarejo, da região do Nordeste de Amaralina, flagraram Bruno e Yan furtando carnes no estabelecimento.

Os funcionários do mercado detiveram os homens, mas Bruno, de 29 anos, conseguiu pedir ajuda a uma amiga através de áudios e ligações.

Ele dizia que precisava de cerca de R$ 700 para pagar os quatro pacotes de carne. Ouça no áudio abaixo.

 

 

 

 

O que Bruno pediu à amiga?

 

Bruno chegou a dizer que precisava do dinheiro, porque se não, ele e Yan seriam entregues a traficantes. A mulher que prefere não ser identificada tentou arrumar o valor, mas não deu tempo.

 

Na última ligação que eles tiveram, Bruno falou:

 

"Eles estão me entregando agora pelo estacionamento aos traficantes aqui do Nordeste. Eu vou morrer. Não me deixa morrer não. Vem para cá! Chame a polícia para me prender".

 

 

O que diz uma testemunha que estava no mercado?

 

Um cliente do supermercado falou que ouviu gritos vindos de uma sala reservada aos funcionários e viu quando os dois homens deixaram a loja.

"Ouvi muitos gritos, como se estivessem agredindo os dois rapazes. Muito, muito, muito mesmo", afirmou a testemunha que também prefere não ser identificada.

"Quando estava saindo, eu vi muitas pessoas armadas, umas 10 a 20 pessoas armadas e vi o portão abrindo, e os dois rapazes pedindo por favor para não deixar levarem eles", continuou.

 

Como a família reconheceu os corpos?

 

Os corpos de Bruno e Yan foram encontrados com marcas de tortura e tiros. As mães Dionésia Pereira e Elaine Costa relataram que tiveram dificuldade para reconhecê-los.

"Não dava nem para reconhecer a cara do meu filho. Eu reconheci meu filho pela mão e pelo pé, porque a cara estava transformada", afirmou Elaine, mãe de Yan.

Já Dionésia, mãe de Bruno, questionou, muito emocionada: “Meu filho não é assassino, ele furtava, furtou comida. Ele errou, mas tem policial, por que não chamou a polícia?”.

 

A Polícia foi chamada?

 

Em nota, a Polícia Militar informou que tomou conhecimento de que teria ocorrido um possível furto no supermercado. No local, funcionários teriam negado o fato. A rede varejista não anunciou quem são esses funcionários que negaram o que aconteceu e o motivo.

 

Os seguranças foram identificados?

 

A Polícia e a rede de Atakarejo não revelaram a quantidade nem a identidade dos seguranças envolvidos na ação com Bruno e Yan.

 

Qual a motivação do crime?

 

Esta resposta ainda não está clara e há divergências entre as versões da família e da polícia.

Logo após encontrar os corpos, a polícia informou que a motivação do crime estava relacionada ao tráfico de drogas.

Três dias após os corpos serem encontrados, no entanto, a família dos dois homens questionou a versão ao divulgar os áudios e conversas com os pedidos de ajuda que Bruno mandou para a amiga. Eles acreditam que Bruno e Yan foram entregues a traficantes para execução por causa do furto.

 

O que diz o Atakarejo?

 

O grupo Atacadão Atakarejo não divulgou informações sobre o caso para imprensa. Em nota, eles afirmam que colaboram com a investigação policial e que já entregaram todos os documentos e imagens do sistema de segurança aos órgãos competentes para o esclarecimento do caso.

O grupo também informou ainda que aguarda o encerramento das investigações, que correm em segredo de justiça, para a elucidação do caso e espera a punição de todos os culpados.

Em nota, a Polícia Militar informou que tomou conhecimento de que teria ocorrido um possível furto no supermercado. No local, funcionários teriam negado o fato. A rede varejista não anunciou quem são esses funcionários que negaram o fato e o motivo.

 

Houve outros casos assim no supermercado?

 

Uma adolescente de 15 anos também relatou ter sido espancada e torturada depois de uma tentativa de furtar produtos no supermercado Atakarejo, no bairro de Amaralina, em outubro de 2020. Ela sobreviveu após fugir e contou que resolveu falar sobre o caso, após as mortes de Yan e Bruno.

 

O que as investigações apontam?

 

Mais de 10 pessoas já foram ouvidas e as investigações estão avançando, segundo nota divulgada pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia na quarta-feira (5).

Detalhes não foram divulgados para não atrapalhar as apurações, mas imagens do circuito de câmeras de vigilância do supermercado e laudos cadavéricos e periciais do local estão sendo analisados.

O secretário de Segurança Pública (SSP) da Bahia, Ricardo Mandarino, afirmou que "mandar matar é coisa de miliciano, de marginal, de bandido". O gestor não apontou culpados pelas mortes de Yan e Bruno, mas disse que o órgão segue investigando o caso.

 

Quem eram Yan e Bruno?

 

Bruno Santos, de 29 anos, estava desempregado, mas recebia apoio da mãe, Dionésia. Ele deixou uma filha, de 12 anos, fruto do relacionamento com a dona de casa Paula Santos.

Segundo Paula, Bruno já havia trabalhado como ajudante de pedreiro, mas estava com dificuldades para encontrar um trabalho. A mãe tinha planos de montar uma barraca de verduras para que o filho trabalhasse no bairro.

Já Yan, 19 anos, cursava 9º ano em um projeto de Educação de Jovens e Adultos (EJA) pela tarde e fazia o curso de música no Projeto Axé, pela manhã.

Tio e sobrinho moravam na mesma casa no bairro Fazenda Couto, depois que Yan foi morar com o tio e o irmão mais velho há cerca de um ano.

 

Fonte/Créditos: G1 Bahia

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