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Conselheiro Tutelar reeleito em Santa Maria é alvo da Maria da Penha

“Pode avisar, serei o deputado da cidade”
Conselheiro Tutelar reeleito em Santa Maria  é alvo da Maria da Penha
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Conselheiro Tutelar reeleito em Santa Maria é alvo da Maria da Penha

Reeleito para o Conselho Tutelar de Santa Maria Sul, Izaquiel da Silva Souza foi indiciado pela Polícia Civil (PCDF) por violência contra a mulher. O inquérito tramita no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) desde 23 de setembro deste ano – 13 dias antes da eleição -, e chegou na última segunda-feira (7) ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), onde será efetuada ou não a denúncia contra o conselheiro tutelar.

Em 20 de agosto deste ano, a esposa de Izaquiel – cujo nome será preservado – foi à 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria) e registrou queixa contra o companheiro por agressão e ameaça. Nove dias depois, ela retornou ao prédio policial para retirar as acusações, alegando sofrer de problemas psiquiátricos. De acordo com o depoimento prestado às autoridades, a mulher apresentou laudos de psiquiatras e apontou um “descompasso de ordem psicológica” como o motivo das denúncias.

De acordo com o processo no TJDFT, o conselheiro é investigado por ocorrências nos artigos 129 e 147 do Código Penal – violência contra cônjuge e ameaça, respectivamente – e duas vezes imputado no inciso III do artigo 5º da Lei Maria da Penha – agressão doméstica ou familiar à mulher. Izaquiel nega todas as acusações. “É um procedimento judicial comum; eu vou provar minha inocência”, alega o conselheiro reeleito.

“Ela não queria que eu me candidatasse ao Conselho Tutelar”, afirmou Izaquiel ao Jornal de Brasília. “Como esse cargo não tem uma rotina, a qualquer momento eu posso ser chamado para uma diligência, por exemplo. Ela está passando por problemas desde que nosso segundo filho nasceu”, justificou.

À reportagem, ele apresentou o segundo depoimento prestado pela esposa em 29 de agosto, no qual ela negava as agressões, e prometeu entregar os laudos psiquiátricos que a mulher levou à delegacia para sustentar a fala de que sofria de problemas mentais no momento da denúncia. Até o fechamento desta reportagem, porém, o conselheiro não apresentou o documento. A queixa não foi arquivada graças a um dispositivo da Lei Maria da Penha que impede a denunciante de abandonar ou retirar a denúncia, já que pode ser vítima de coação ou ameaças.

Ainda em contato com a reportagem, Izaquiel culpou o modo como são escolhidos os conselheiros tutelares. “A democracia é boa, mas nesse ponto ela atrapalhar. 99% dos eleitos não sabem fazer uma representação para entregar ao juiz. Além disso, gera esse tipo de politicagem, essas coisas pequenas”, declarou.

Uma fonte anônima, residente de Santa Maria, comentou ao JBr que inclusive já protocolou uma denúncia contra Izaquiel na Ouvidoria do Governo do Distrito Federal (GDF), responsável pelo controle das eleições para os Conselhos Tutelares. Revisor do pleito, o Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDCA) pode impugnar a candidatura de qualquer um dos eleitos até o momento da posse. Houve revolta nas redes sociais destinadas aos moradores da Região Administrativa com a eleição de Izaquiel. “Como um cara que tem um processo desses nas costas vai assumir esse cargo?”, comentou uma usuária.

Eleito com 1.224 votos na região, Izaquiel assume em janeiro de 2020 o segundo mandato, que dura até 2023, com salário de R$ 4 mil mensais. Ele foi eleito com 587 a mais que o segundo colocado, Hessley Santos. Advogado de formação, o conselheiro atuou por 16 anos como servidor da secretaria de Educação do DF, além de já ter exercido a função de policial civil. Em agosto deste ano, pouco antes da queixa da esposa, assumiu uma das cinco vagas do Conselho Tutelar por ter chegado à condição de suplente no processo eletivo de 2015.

“Pode avisar, serei o deputado da cidade”

No mesmo 29 de agosto em que foi à delegacia desmentir o depoimento dado anteriormente, a mulher de Izaquiel publicou um vídeo no qual esclarece que prestou queixa “para chamar atenção” do cônjuge.

“Para quem não sabe eu estou sofrendo com depressão, ansiedade e síndrome do pânico há seis meses”, afirma a mulher na gravação.

No perfil de Izaquiel no Facebook, também em 29 de agosto, duas fotos foram publicadas do conselheiro com a esposa. Uma em um restaurante, outra com os dois filhos do casal. A última publicação que envolvia a companheira em seu perfil data de dezembro do ano passado.

Izaquiel da Silva Souza é acusado por residentes da RA de usar o cargo de conselheiro para uma escalada política. Para muitos, é clara a vontade do homem em se candidatar a deputado distrital nas eleições de 2022, e o Conselho Tutelar seria um atalho à Câmara Legislativa.

“Tem gente dizendo isso, mas não é verdade. Não tenho o menor interesse”, rebateu.

A mesma fonte que efetuou a denúncia do conselheiro desmente. Um print de uma conversa de Izaquiel com um apoiador foi enviado à reportagem.
Nele, Izaquiel responde a uma imagem feita da publicação no Facebook onde o conselheiro recebe críticas agudas da população.

“As pessoas estão me atacando de todas as formas”, diz ele. “Muita gente suja”. Após um áudio enviado pelo próprio Izaquiel, ele afirma, em duas mensagens:

“As pessoas criam muita inveja. Pode avisar no privado que serei o deputado da cidade”, finaliza o conselheiro, que conta com o incentivo do interlocutor. “Tem o meu apoio”, diz a pessoa, não identificada.

Saiba mais:

Alvo de denúncia efetuada na edição de ontem (7) do Jornal de Brasília, o conselheiro tutelar reeleito Fernando Reis encaminhou nota por meio de seus advogados à redação. No documento, assinado pelos advogados João Henrique Lippelt Moreno e Gustavo Batista dos Santos, ele se defende das acusações de compra de votos e aponta um suposto revanchismo por parte das candidatas que assinam a ata na qual denunciam as práticas, segundo elas, irregulares.

O Sr. Fernando Reis repugna todo e qualquer tipo de ilegalidade, compra de votos ou qualquer que atente contra a dignidade e lisura das eleições para o cargo de Conselheiro Tutelar”, diz o texto. “O que se vê, em verdade, é um inconformismo daqueles que foram derrotados pela via democrática e se utilizam de meios ardis, mentirosos, dissimulados e desonestos para burlar o resultado das urnas”, continuam os defensores.

Fernando Reis ocupou a última das cinco vagas disponíveis para o Park Way, atrás de três das cinco candidatas que protocolarão reclamações formais contra a campanha do conselheiro. Por fim, a nota esclarece que ele “se coloca à disposição das autoridades para tão logo esclarecer os fatos imputados a sua pessoa”. Áudios de um amigo de Fernando, Nilsinho, comprovam o esquema, apesar de não ligarem diretamente o candidato ao fato.

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Reeleito para o Conselho Tutelar de Santa Maria Sul, Izaquiel da Silva Souza foi indiciado pela Polícia Civil (PCDF) por violência contra a mulher. O inquérito tramita no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) desde 23 de setembro deste ano – 13 dias antes da eleição -, e chegou na última segunda-feira (7) ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), onde será efetuada ou não a denúncia contra o conselheiro tutelar.

Em 20 de agosto deste ano, a esposa de Izaquiel – cujo nome será preservado – foi à 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria) e registrou queixa contra o companheiro por agressão e ameaça. Nove dias depois, ela retornou ao prédio policial para retirar as acusações, alegando sofrer de problemas psiquiátricos. De acordo com o depoimento prestado às autoridades, a mulher apresentou laudos de psiquiatras e apontou um “descompasso de ordem psicológica” como o motivo das denúncias.

De acordo com o processo no TJDFT, o conselheiro é investigado por ocorrências nos artigos 129 e 147 do Código Penal – violência contra cônjuge e ameaça, respectivamente – e duas vezes imputado no inciso III do artigo 5º da Lei Maria da Penha – agressão doméstica ou familiar à mulher. Izaquiel nega todas as acusações. “É um procedimento judicial comum; eu vou provar minha inocência”, alega o conselheiro reeleito.

“Ela não queria que eu me candidatasse ao Conselho Tutelar”, afirmou Izaquiel ao Jornal de Brasília. “Como esse cargo não tem uma rotina, a qualquer momento eu posso ser chamado para uma diligência, por exemplo. Ela está passando por problemas desde que nosso segundo filho nasceu”, justificou.

À reportagem, ele apresentou o segundo depoimento prestado pela esposa em 29 de agosto, no qual ela negava as agressões, e prometeu entregar os laudos psiquiátricos que a mulher levou à delegacia para sustentar a fala de que sofria de problemas mentais no momento da denúncia. Até o fechamento desta reportagem, porém, o conselheiro não apresentou o documento. A queixa não foi arquivada graças a um dispositivo da Lei Maria da Penha que impede a denunciante de abandonar ou retirar a denúncia, já que pode ser vítima de coação ou ameaças.

Ainda em contato com a reportagem, Izaquiel culpou o modo como são escolhidos os conselheiros tutelares. “A democracia é boa, mas nesse ponto ela atrapalhar. 99% dos eleitos não sabem fazer uma representação para entregar ao juiz. Além disso, gera esse tipo de politicagem, essas coisas pequenas”, declarou.

Uma fonte anônima, residente de Santa Maria, comentou ao JBr que inclusive já protocolou uma denúncia contra Izaquiel na Ouvidoria do Governo do Distrito Federal (GDF), responsável pelo controle das eleições para os Conselhos Tutelares. Revisor do pleito, o Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDCA) pode impugnar a candidatura de qualquer um dos eleitos até o momento da posse. Houve revolta nas redes sociais destinadas aos moradores da Região Administrativa com a eleição de Izaquiel. “Como um cara que tem um processo desses nas costas vai assumir esse cargo?”, comentou uma usuária.

Eleito com 1.224 votos na região, Izaquiel assume em janeiro de 2020 o segundo mandato, que dura até 2023, com salário de R$ 4 mil mensais. Ele foi eleito com 587 a mais que o segundo colocado, Hessley Santos. Advogado de formação, o conselheiro atuou por 16 anos como servidor da secretaria de Educação do DF, além de já ter exercido a função de policial civil. Em agosto deste ano, pouco antes da queixa da esposa, assumiu uma das cinco vagas do Conselho Tutelar por ter chegado à condição de suplente no processo eletivo de 2015.

“Pode avisar, serei o deputado da cidade”

No mesmo 29 de agosto em que foi à delegacia desmentir o depoimento dado anteriormente, a mulher de Izaquiel publicou um vídeo no qual esclarece que prestou queixa “para chamar atenção” do cônjuge.

“Para quem não sabe eu estou sofrendo com depressão, ansiedade e síndrome do pânico há seis meses”, afirma a mulher na gravação.

No perfil de Izaquiel no Facebook, também em 29 de agosto, duas fotos foram publicadas do conselheiro com a esposa. Uma em um restaurante, outra com os dois filhos do casal. A última publicação que envolvia a companheira em seu perfil data de dezembro do ano passado.

Izaquiel da Silva Souza é acusado por residentes da RA de usar o cargo de conselheiro para uma escalada política. Para muitos, é clara a vontade do homem em se candidatar a deputado distrital nas eleições de 2022, e o Conselho Tutelar seria um atalho à Câmara Legislativa.

“Tem gente dizendo isso, mas não é verdade. Não tenho o menor interesse”, rebateu.

A mesma fonte que efetuou a denúncia do conselheiro desmente. Um print de uma conversa de Izaquiel com um apoiador foi enviado à reportagem.
Nele, Izaquiel responde a uma imagem feita da publicação no Facebook onde o conselheiro recebe críticas agudas da população.

“As pessoas estão me atacando de todas as formas”, diz ele. “Muita gente suja”. Após um áudio enviado pelo próprio Izaquiel, ele afirma, em duas mensagens:

“As pessoas criam muita inveja. Pode avisar no privado que serei o deputado da cidade”, finaliza o conselheiro, que conta com o incentivo do interlocutor. “Tem o meu apoio”, diz a pessoa, não identificada.

Saiba mais:

Alvo de denúncia efetuada na edição de ontem (7) do Jornal de Brasília, o conselheiro tutelar reeleito Fernando Reis encaminhou nota por meio de seus advogados à redação. No documento, assinado pelos advogados João Henrique Lippelt Moreno e Gustavo Batista dos Santos, ele se defende das acusações de compra de votos e aponta um suposto revanchismo por parte das candidatas que assinam a ata na qual denunciam as práticas, segundo elas, irregulares.

O Sr. Fernando Reis repugna todo e qualquer tipo de ilegalidade, compra de votos ou qualquer que atente contra a dignidade e lisura das eleições para o cargo de Conselheiro Tutelar”, diz o texto. “O que se vê, em verdade, é um inconformismo daqueles que foram derrotados pela via democrática e se utilizam de meios ardis, mentirosos, dissimulados e desonestos para burlar o resultado das urnas”, continuam os defensores.

Fernando Reis ocupou a última das cinco vagas disponíveis para o Park Way, atrás de três das cinco candidatas que protocolarão reclamações formais contra a campanha do conselheiro. Por fim, a nota esclarece que ele “se coloca à disposição das autoridades para tão logo esclarecer os fatos imputados a sua pessoa”. Áudios de um amigo de Fernando, Nilsinho, comprovam o esquema, apesar de não ligarem diretamente o candidato ao fato.

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